segunda-feira, 9 de março de 2009

Dia Internacional da Mulher


Já passa da meia-noite, já estamos em 9 de Março, mas como só há necessidade de manter o Dia da Mulher precisamente pelas desigualdades que se mantêm por esse mundo fora, que faz das mulheres tantas vezes vítimas, decidi que ainda é tempo (e será sempre) de falar de mulheres e homenagear algumas delas.
Assim,
não posso deixar de evocar duas grandes mulheres da minha família - a minha avó Vitória (Maria Vitória como se identificava quando se apresentava) e a minha bisavó Joana (a minha avó Joaninha, mãe da minha avozinha Vitória). Duas mulheres fantásticas, com vidas longas e nunca fáceis.
A avó Joaninha partiu com 95 anos , em 1991. Sempre a conheci velhinha, mas cheia de força e absolutamente independente até aos 91 anos, quando sofreu uma queda e fracturou o colo do fémur. Recusou-se a ser operada e, contra todas as expectativas, voltou a andar. Acabou por ser derrotada por um cancro (não merecia sofrer tanto).
A avó Vitória partiu com 81 anos, em 2007 (para mim foi muito cedo ainda)... Também foi amaldiçoada pelo cancro, também caiu e fracturou o fémur. Foi operada e acabou por sucumbir a uma embolia pulmonar. Nunca considerei a minha avó velha, para mim os meus avós nunca foram velhos. Os meus avós maternos são muito responsáveis pelo que eu e o meu irmão somos hoje e só tenho orgulho nisso.
Voltando às minhas avós, foram, mãe e filha, duas mulheres de coragem, os pilares das suas casas e das nossas vidas, que lutaram contra a adversidade, mantendo sempre um sorriso nos lábios. Tinham personalidades fortes e nunca desistiram da vida, sabendo espalhar o amor à sua volta. Eram e são uma luz nas nossas vidas e nas vidas de muitos dos que tiveram o privilégio de as conhecer.
Às vezes dou por mim a pensar que tenho que ligar à minha avó (Vitória) ou que não me posso esquecer de lhe contar alguma coisa - é assim que ela continua presente na minha vida, como se não tivesse partido, e é assim que a sinto, a meu lado.
Ambas tinham pouca instrução (aliás a minha bisavó aprendeu a ler e a escrever porque trabalhou, em menina, em casa de uma professora primária; a minha avó tinha a 3ª classe e foi operária), mas tornaram-se amantes da leitura na velhice. Discutia com elas as suas leituras. Peguei há pouco tempo no primeiro livro que eu e o meu irmão decidimos dar à nossa avó que tanto gostava de ler, mas até essa altura não tinha nenhum livro seu - demos-lhe em 2000,
"Lisboa Contada pelos Dedos" de Baptista Bastos, um livro de crónicas sobre a Lisboa que não foi a terra que a viu nascer, mas aquela onde passou a juventude e grande parte da sua vida, a sua Lisboa. Depois desse, demos-lhe ainda mais uns quantos.
Esta é a homenagem que quero prestar a duas grandes mulheres - Vitória e Joana -, lembrando-as com saudade, é certo, mas com um sorriso nos lábios, porque é assim que as recordo... E assim posso, quem sabe, ser um bocadinho como elas...
08 de Março de 2009 - Dia Internacional da Mulher

4 comentários:

Marcelleee disse...

Parabéns para nós uhulllll!!!!!!Bjuss
http://marcelleee.blogspot.com/

Cristina Bernardes disse...

Parabéns a todas as mulheres... e às suas avós...

Janna disse...

Oie tem selinho pra vc no meu Blog BjOs!!!

Janna disse...

Oie obg por acompanhar meu Blog BjOs