
De tanto se falar em crise neste país, há uma frase que há já algum tempo não me sai da cabeça - "o país ia alegremente para a bancarrota". É uma frase de "Os Maias"de Eça de Queirós, pela qual passo quase todos os anos, quando lecciono o décimo primeiro ano de Português.
Hoje decidi pegar nessa obra fantástica e eis o que encontrei...
"Os empréstimos em Portugal constituíam hoje uma das fontes de receita, tão regular, tão indispensável, tão sabida como o imposto. A única ocupação mesmo dos ministérios era esta - 'cobrar o imposto' e 'fazer o empréstimo'. E assim se havia de continuar... Carlos não entendia de finanças: mas parecia-lhe que, desse modo, o país ia alegremente para a bancarrota." Cap. VI
Se continuarem a ler, continuarão com a mesma sensação que me assaltou - esta podia ser uma notícia do jornal de hoje! Seria Eça um visionário ou a história repete-se e nós não aprendemos?
Eis como é possível provar que a literatura não é apenas arte... mas a vida ao espelho.
2 comentários:
Transcrevi este mesmo texto aqui.
Mas discordo em absoluto que a arte seja (ou deva ser) o espelho da vida.
Pois para variar não estamos de acordo. A arte é algumas vezes o espelho da vida. "Os Maias" inserem-se na corrente Realista, pretende-se que seja isso mesmo.
Outras vezes a arte é "apenas" arte.
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