E eis que chega um "selinho", atribuído pela Marta da Chuva de Livros. Muito obrigada, Marta! Estes prémios podem ser coisas muito simples, mas são gestos de carinho e reconhecimento, daí o meu obrigada.
Relativamente às regras, são as seguintes:
Escolher 5 situações da vida para passar em câmara lenta; Em segundo lugar, passar o desafio e o prémio a 12 blogues e avisá-los.
Vamos ver se estou inspirada...
1- O dia em que o meu irmão nasceu (tinha eu 4 anos), mais concretamente o momento em que o meu pai me pegou ao colo para ver aquele quase Menino Jesus loirinho.
2- O dia em que conheci o meu sobrinho, tinha ele 2 dias, dormia sossegadinho na cama da maternidade.
3- Todos os momentos que passo com o meu sobrinho e com o seu sorriso mágico.
4- Os momentos de grande tagarelice que passei com a minha querida avó, que já partiu.
5- Todos os momentos bons que ainda estiverem para vir.
Uff! Já está! Agora os blogs que considero merecerem este "selinho" (a ordem é aleatória):
Escolhi seis (metade do que as regras mandam), mas foram aqueles em que, tendo em conta o selo que é ("O teu blog merece ser filmado"), entrei nos blogs que referi e consegui imaginá-los com vida, em filme. Deixo os outros seis ao critério dos leitores deste blog e mais, se quiserem pegar na ideia deste "selinho", estão à vontade para o fazer.
Boa viagem pela blogoesfera e pelos livros!... e bom fim de semana!
Fernando António Nogueira Pessoa nasceu em Lisboa, a 13 de Junho de 1888, faz hoje, portanto, 121 anos. Partiu cedo, aos 47 anos, de cólica hepática. Partiu o homem, mas ficou a obra imortal. O poeta de múltiplas personalidades literárias, o poeta do meu país que elegeu a sua língua materna como sua pátria ("A minha pátria é a língua portuguesa"). Dos seus heterónimos, o que me conquista por completo é Alberto Caeiro, pela simplicidade, é o poeta da natureza, o poeta do olhar, que aceita, desfruta a vida e é feliz. Da produção do ortónimo, a "Mensagem" é, para mim, magistral. Da sua imensa produção literária (julgo que ainda nem toda editada), não tenho um poema favorito, tenho vários. Nesta simples homenagem ao grande poeta do meu país, aqui deixo dois dos meus poemas favoritos, um de Ricardo Reis e outro de Fernando Pessoa, ele mesmo:
"Para ser grande, sê inteiro: nada Teu exagera ou exclui. Sê todo em cada coisa. Põe quanto és No mínimo que fazes. Assim em cada lago a lua toda Brilha, porque alta vive."
Ricardo Reis
Mar Português
"Ó mar salgado, quanto do teu sal São lágrimas de Portugal! Por te cruzarmos, quantas mães choraram, Quantos filhos em vão rezaram! Quantas noivas ficaram por casar Para que fosses nosso, ó mar!
Valeu a pena? Tudo vale a pena Se a alma nao é pequena. Quem quer passar além do Bojador Tem que passar além da dor. Deus ao mar o perigo e o abismo deu, Mas nele é que espelhou o céu."
Descobri este livro numa das minhas idas às compras num hipermercado. Como não podia deixar de ser, passei, como é meu hábito, pela secção dos livros, onde gosto de parar, olhar, pegar em alguns livros, ler a contracapa ou as badanas. Devo dizer que, comigo, o marketing é muito eficaz, porque as capas e os títulos seduzem-me com muita facilidade. Foi assim que trouxe comigo este "Virgem Cigana" de Santa Montefiore. Além da própria autora me despertar a curiosidade e nunca ter lido nada dela, a capa deste livro e o seu título conquistaram-me.
Li-o agora, nos dois últimos dias. É fácil de ler e a história é envolvente. Embora o ponto de vista da acção seja masculino, através de Mischa, um francês, filho de pai alemão, que se torna americano, a verdade é que a escrita me parece tipicamente feminina. É então a história de Mischa e da sua mãe Anouk (aqui veio-me à memória Joanne Harris, mas o estilo não me parece assim tão semelhante). A acção oscila entre o passado - 1948, o pós-guerra, em França - e o presente - 1985, Estados Unidos da América. É uma viagem de Mischa ao passado, pela memória e geograficamente, é a personagem em busca de si próprio após a morte da mãe. Uma viagem que explica o título do livro (para mim de forma surpreendente), que nos leva a ver os dois lados da II Guerra Mundial, em que nem todos os alemães foram cruéis, nem todos os aliados (neste caso os franceses) foram humanos. É também uma história de esperança, de um homem que se julgava vazio pelas desilusões da vida e encontra o amor da forma mais surpreendente e que, no entanto, esteve sempre lá. Uma leitura agradável e interessante. Gostei e quero ler outros livros da autora!
A Declaração dos Direitos da Criança foi aprovada pela Assembleia Geral das Nações Unidas a 20 de Novembro de 1959 e diz o seguinte:
Preâmbulo
VISTO que os povos da Nações Unidas, na Carta, reafirmaram sua fé nos direitos humanos fundamentais, na dignidade e no valor do ser humano, e resolveram promover o progresso social e melhores condições de vida dentro de uma liberdade mais ampla,
VISTO que as Nações Unidas, na Declaração Universal dos Direitos Humanos, proclamaram que todo homem tem capacidade para gozar os direitos e as liberdades nela estabelecidos, sem distinção de qualquer espécie, seja de raça, cor, sexo, língua, religião, opinião política ou de outra natureza, origem nacional ou social, riqueza, nascimento ou qualquer outra condição,
VISTO que a criança, em decorrência de sua imaturidade física e mental, precisa de proteção e cuidados especiais, inclusive proteção legal apropriada, antes e depois do nascimento,
VISTO que a necessidade de tal proteção foi enunciada na Declaração dos Direitos da Criança em Genebra, de 1924, e reconhecida na Declaração Universal dos Direitos Humanos e nos estatutos das agências especializadas e organizações internacionais interessadas no bem-estar da criança,
Visto que a humanidade deve à criança o melhor de seus esforços,
ASSIM, A ASSEMBLEIA GERAL
PROCLAMA esta Declaração dos Direitos da Criança, visando que a criança tenha uma infância feliz e possa gozar, em seu próprio benefício e no da sociedade, os direitos e as liberdades aqui enunciados e apela a que os pais, os homens e as melhores em sua qualidade de indivíduos, e as organizações voluntárias, as autoridades locais e os Governos nacionais reconheçam este direitos e se empenhem pela sua observância mediante medidas legislativas e de outra natureza, progressivamente instituídas, de conformidade com os seguintes princípios:
PRINCÍPIO 1º
A criança gozará todos os direitos enunciados nesta Declaração. Todas as crianças, absolutamente sem qualquer exceção, serão credoras destes direitos, sem distinção ou discriminação por motivo de raça, cor, sexo, língua, religião, opinião política ou de outra natureza, origem nacional ou social, riqueza, nascimento ou qualquer outra condição, quer sua ou de sua família.
PRINCÍPIO 2º
A criança gozará proteção social e ser-lhe-ão proporcionadas oportunidade e facilidades, por lei e por outros meios, a fim de lhe facultar o desenvolvimento físico, mental, moral, espiritual e social, de forma sadia e normal, em condições de liberdade e dignidade. Na instituição das leis visando este objetivo levar-se-ão em conta sobretudo, os melhores interesses da criança.
PRINCÍPIO 3º
Desde o nascimento, toda criança terá direito a um nome e a uma nacionalidade.
PRINCÍPIO 4º
A criança gozará os benefícios da previdência social. Terá direito a crescer e criar-se com saúde; para isto, tanto à criança como à mãe, serão proporcionados cuidados e proteção especial, inclusive adequados cuidados pré e pós-natais. A criança terá direito a alimentação, recreação e assistência médica adequadas.
PRINCÍPIO 5º
À criança incapacitada física, mental ou socialmente serão proporcionados o tratamento, a educação e os cuidados especiais exigidos pela sua condição peculiar.
PRINCÍPIO 6º
Para o desenvolvimento completo e harmonioso de sua personalidade, a criança precisa de amor e compreensão. Criar-se-á, sempre que possível, aos cuidados e sob a responsabilidade dos pais e, em qualquer hipótese, num ambiente de afeto e de segurança moral e material, salvo circunstâncias excepcionais, a criança da tenra idade não será apartada da mãe. À sociedade e às autoridades públicas caberá a obrigação de propiciar cuidados especiais às crianças sem família e aquelas que carecem de meios adequados de subsistência. É desejável a prestação de ajuda oficial e de outra natureza em prol da manutenção dos filhos de famílias numerosas.
PRINCÍPIO 7º
A criança terá direito a receber educação, que será gratuita e compulsória pelo menos no grau primário.
Ser-lhe-á propiciada uma educação capaz de promover a sua cultura geral e capacitá-la a, em condições de iguais oportunidades, desenvolver as suas aptidões, sua capacidade de emitir juízo e seu senso de responsabilidade moral e social, e a tornar-se um membro útil da sociedade.
Os melhores interesses da criança serão a diretriz a nortear os responsáveis pela sua educação e orientação; esta responsabilidade cabe, em primeiro lugar, aos pais.
A criança terá ampla oportunidade para brincar e divertir-se, visando os propósitos mesmos da sua educação; a sociedade e as autoridades públicas empenhar-se-ão em promover o gozo deste direito.
PRINCÍPIO 8º
A criança figurará, em quaisquer circunstâncias, entre os primeiros a receber proteção e socorro.
PRINCÍPIO 9º
A criança gozará proteção contra quaisquer formas de negligência, crueldade e exploração. Não será jamais objeto de tráfico, sob qualquer forma.
Não será permitido à criança empregar-se antes da idade mínima conveniente; de nenhuma forma será levada a ou ser-lhe-á permitido empenhar-se em qualquer ocupação ou emprego que lhe prejudique a saúde ou a educação ou que interfira em seu desenvolvimento físico, mental ou moral.
PRINCÍPIO 10º
A criança gozará proteção contra atos que possam suscitar discriminação racial, religiosa ou de qualquer outra natureza. Criar-se-á num ambiente de compreensão, de tolerância, de amizade entre os povos, de paz e de fraternidade universal e em plena consciência que seu esforço e aptidão devem ser postos a serviço de seus semelhantes.
in http://pt.wikipedia.org/wiki/Declara%C3%A7%C3%A3o_dos_Direitos_da_Crian%C3%A7a
... Pena é que, 50 anos depois, ainda haja crianças sem direitos, sem direito a sorrir...
Esta foi uma das minhas aquisições na Feira do Livro de Lisboa deste ano, um daqueles livros que me veio parar às mãos. Passei, vi a capa, o título e a autora (também de Caffe Amore que li e de que gostei) e... não resisti, trouxe-o comigo.
Por circunstâncias imprevistas, estou em casa de perna estendida (devido a lesão do joelho) e, hoje à tarde, peguei nele e li-o, de uma ponta à outra. Nem sei bem por onde começar, mas devo dizer que é um livro... de alma italiana, tudo cheira a Itália! Pieta (assim mesmo, "piedade"), personagem principal, estilista de vestidos de noiva, a sua irmã Addolorata ("dor", as irmãs de nomes tristes, como diz uma personagem a dada altura), Beppi, o pai, Catherine ("Caterina") a mãe, conduzem-nos pela história e pela vida dos Martinelli. Conhecemos e quase saboreamos os pratos de Beppi (com direito a receitas e tudo), fazemos uma viagem à boleia de Londres a Roma, quase ouvimos segredar ou algaraviar em italiano, passeamos pela Toscana, por Roma, regressamos a Londres, sempre com a Itália no sangue. É isso mesmo, como se Itália nos entrasse no sangue! Adorei a história, as duas histórias dentro da história, viajei com as personagens (até porque conheço alguns dos locais, foi como se lá voltasse!!), emocionei-me com elas, sonhei com elas. É um livro agradável, saboroso, que dá cor ao dia e nos permite viajar um pouco pela "bela Italia"! Um livro de alma italiana! Gostei bastante!
E lá se foi mais uma Feira do Livro de Lisboa... Ontem à tarde, era um mar de gente a circular pelo Parque Eduardo VII, por entre os stands coloridos das editoras, com um dia ensolarado e uma brisa no ar. Não andavam só a ver, compravam livros, uns atrás dos outros. Eu sorria aos comentários que ouvia de passagem - "e é isto um país de analfabetos..."; "eu até comprava mais, mas tenho que parar, porque já estoirei o orçamento!". Havia gente por todo o lado, mas a praça Leya estava literalmente a abarrotar, já que tinha um espectáculo de fantoches e vários autores a dar autógrafos. Devo dizer que o espaço da Leya, com pouca gente, é interessante, mas assim estava sufocante, pior que um hipermercado em final do mês. Talvez seja a minha resistência à mudança, mas eu ainda prefiro serpentear pelos stands ao longo do Parque e espreitar os livros em cada um deles, com um banco ou outro no intervalo, ou uma pequena esplanada, do que aquele espaço concentrado que tem excelentes oportunidades de compra, mas onde, em dia de enchente, mal se pode respirar. E nesta minha última incursão pela Feira do Livro de Lisboa deste ano, lá tive que fazer mais um pequeno estrago....
...trouxe estes dois comigo (por bom preço, diga-se de passagem) - Enquanto Salazar Dormia de Domingos Amaral, porque uma amiga, conhecendo os meus gostos de leitura, disse-me que eu iria adorar; Bons Sonhos Meu Amor de Dorothy Koomson, porque li A Filha da Minha Melhor Amigae gostei e tenho lido boas críticas a este novo livro. E, pronto, a minha estante está cada vez mais cheia, eu não consigo ler à velocidade que gostaria, porque tenho compromissos profissionais a cumprir, mas este vício dos livros é o que dá. E lá se foi mais uma Feira do Livro de Lisboa. Para o ano haverá mais, mas para os profetas que dizem que o livro em suporte de papel está esgotado, tenho más notícias - não está , não senhor. Ocupa mais espaço que os CDs, enche as estantes, ganha pó que dá um trabalhão a limpar... mas é um prazer ter um destes amigos nas mãos, com as suas cores, texturas e cheiros. Ah, e pelo que vi ainda tem, pelo menos, umas boas centenas de fãs... e só na zona de Lisboa, fará no resto do país! É sempre um prazer cumprir esta minha romaria anual. Adeus, até para o ano!
Li este livro há 12 anos (no ano em que foi publicado - 1997), agora voltei a pegar nele e, mais uma vez, impressionou-me. Desde o prefácio do Prof. João Lobo Antunes ("Carta a um amigo-novo") até ao final, "Entrelinhas duma Memória", pelo próprio José Cardoso Pires, tudo se lê de fio a pavio. Mais do que um livro, é um testemunho ímpar de uma situação limite, em que qualquer um de nós se pode encontrar, mas relatada pela pena magistral de Cardoso Pires. E se, de repente, por um acidente orgânico, nos encontrássemos despersonalizados, perdida a memória e o passado? É um relato escorreito e fácil de acompanhar, como se estivéssemos ao lado do homem, o indivíduo, José (Cardoso Pires), quais seres invisíveis. Sim, porque o sentimos como se estivéssemos lá, sentimos a dúvida, a interrogação "O que restaria de mim no homem que ficou para ali estendido à espera de coisa nenhuma?", "Sem nome e sem assinatura este que eu sou entre paredes dum hospital encontra-se numa paisagem anónima com gente anónima (o pessoal, os visitantes). Sem nome, vejam só". A situação, o AVC, o escritor viveu-a em 1995 e só dois anos depois, com a escrita deste livro, deu "por encerrada para sempre a minha viagem à desmemória, arquivando-a nestes apontamentos escritos à deriva por indícios trazidos na corrente." O livro foi um sucesso, galardoado com prémios, o escritor deu entrevistas, testemunhou de viva voz esta "viagem" pela desmemória... um ano depois partiu para sempre, na sequência de novo acidente orgânico. Aquando da partida do escritor, dei comigo a pensar que foi como se lhe tivesse sido dado o tempo suficiente para escrever este seu testemunho, como se fosse essa a sua missão derradeira. Hoje, quando volto a este livro, esse pensamento reforça-se e torna-se quase uma certeza. Diria mesmo que era preciso José Cardoso Pires escrever este livro, era de facto a sua missão antes de partir e, na minha opinião, cumpriu-a com distinção.