Vou à Feira do Livro desde que me lembro de ser gente, é para mim uma romaria obrigatória e que faço com um imenso prazer.
Ao Rock in Rio não vou (por nenhuma razão em particular), mas à Feira do Livro... EU VOU!
"Não importa sol ou sombra
camarotes ou barreiras
toureamos ombro a ombro
as feras.
Ninguém nos leva ao engano
toureamos mano a mano
só nos podem causar dano
espera.
Entram guizos chocas e capotes
e mantilhas pretas
entram espadas chifres e derrotes
e alguns poetas
entram bravos cravos e dichotes
porque tudo o mais
são tretas.
Entram vacas depois dos forcados
que não pegam nada.
Soam brados e olés dos nabos
que não pagam nada
e só ficam os peões de brega
cuja profissão
não pega.
Com bandarilhas de esperança
afugentamos a fera
estamos na praça
da Primavera.
Nós vamos pegar o mundo
pelos cornos da desgraça
e fazermos da tristeza
graça.
Entram velhas doidas e turistas
entram excursões
entram benefícios e cronistas
entram aldrabões
entram marialvas e coristas
entram galifões
de crista.
Entram cavaleiros à garupa
do seu heroísmo
entra aquela música maluca
do passodoblismo
entra a aficionada e a caduca
mais o snobismo
e cismo...
Entram empresários moralistas
entram frustrações
entram antiquários e fadistas
e contradições
e entra muito dólar muita gente
que dá lucro as milhões.
E diz o inteligente
que acabaram as canções."
imagem in http://www.ionline.pt/conteudo/44957-rosa-lobato-faria-marca-para-sempre-panorama-cultural-portugues-diz-luis-andrade
Decidi inaugurar os posts de 2010, com referência aos livros que recebi no Natal. Afinal, valem a pena! Começo por referir "Gritos contra a Indiferença" de Fernando Nobre. Já havia lido muitos dos relatos de "Viagens contra a Indiferença" do mesmo autor, testemunhos de experiências deste homem, médico em missão da AMI, pelos mais diversos países do mundo, em situações de catástrofe natural e humana. É nesta linha que surgem também estes gritos de revolta e luta perante as injustiças deste mundo. Nas palavras do próprio autor - "Como não me inquietar quando vejo a paz global tão ameaçada e os Direitos Humanos tão espezinhados? Como não interpelar quando assisto à degradação contínua do nosso planeta Terra e ao seu esgotamento, provocado por uma ganância louca, sem freio nem nexo?". Neste início de 2010, este livro ganhou, infelizmente, ainda mais sentido.
Neste mês de Dezembro, no meio de tanto trabalho, testes, correcções, notas e reuniões, fiz uma pausa na leitura de “Caim” (que começou muito bem, mas de momento me cansou) e decidi ir à estante e escolher leituras leves. Estava a precisar. Assim, li, quase de uma assentada, três livros – “Razões do Coração” de Rosalind Laker, “Ninguém como tu” de Anna Casanovas e “A Villa” de Nora Roberts.
"Razões do Coração" - A história de Lisette, uma menina que vira mulher e cuja vida dá muitas voltas e reviravoltas, cruzando-se com Daniel, responsável por espectáculos da “lanterna mágica”. Esta história leva-nos ao final do séc.XIX, ao tempo e experiências dos Lumiére, ao nascimento do cinema. Uma intriga que se desenrola entre a França e Inglaterra e que nos envolve. No entanto, ou muito me engano, ou há erros cronológicos na acção. A protagonista é, no início, apresentada com uma idade que, no desfecho, se torna impossível. Não será, na minha opinião, um grande livro, mas é fácil de ler e a história envolve-nos e conquista-nos, apesar das pequenas desilusões como o erro cronológico que referi.
"Ninguém como tu" - Ágata, residente em Barcelona, viaja para Londres para um estágio profissional e para dar uma volta à sua vida, ficando alojada em casa de Gabriel, o melhor amigo do seu irmão mais velho. No entanto, muitas coisas novas a esperam por lá. É a típica história de amor com final feliz, mas é também uma história bem contada, com uma acção que faz sentido e nos conquista. Fiquei com vontade de ler outros livros da autora o que, para mim, é muito bom sinal.
“A Villa” de Nora Roberts conquistou-me (como tantas vezes acontece) pela capa e pelo título e não me desiludiu. É a história do clã Giambelli, família italiana de tradições vitivinícolas, que tem em três mulheres, avó, mãe e neta, na Califórnia, os seus pilares. Família esta que se cruza com outro clã, os Macmillan, formando uma forte sociedade que preparará os seus herdeiros para honrarem a tradição e assumirem a continuação da empresa. Uma história muito bem contada, como costumam ser as desta autora. Difícil de parar de ler, foi a muito custo que o li em dois dias, porque a vontade era de ler em sessão continua.
Para terminar esta partilha, permito-me destacar a dedicatória que Nora Roberts faz no seu livro, com a qual concordo e me soa a lema de vida...
“À família, que cria as raízes.
Aos amigos, que as fazem florescer”
…e quem disse que as leituras leves não nos enriquecem?....
A todos os visitantes deste blog, aos amigos que conheço pessoalmente e aos que ganhei na blogosfera, desejo Boas Festas! Que o Natal tenha sido vivido com alegria, saúde e harmonia e o Novo Ano de 2010 se apresente pleno de boas energias, saúde (sempre! porque sem ela, nada feito), amor, alegria... e muitos livros!